UMA
CRISE INÉDITA
Uma crise inédita ronda o mundo – a crise do dinheiro!
Seus mais recentes impactos
exibem um cenário de terra arrasada sobre a humanidade e o planeta.
Para enfrentar esta crise,
duas propostas:
Uma quer que a civilização do
dinheiro continue.
A outra quer superá-la.
A primeira está impotente
frente à catástrofe que nos ameaça. Ao administrar a crise contribui para
aprofundar a barbárie.
A segunda entende a crise
como oportunidade rara para a emancipação humana. Daí o alerta pra recusar e
superar o dinheiro, sua crise, sua vida e sua sociedade.
Será possível?
O dinheiro apareceu, pela
primeira vez, nas sociedades pré-modernas, no final do século VII a.C.
Nestas sociedades,
predominantemente agrárias, existiam troca local e comércio exterior. Nelas, o
dinheiro, sob diversas formas, foi utilizado como mediação entre as
mercadorias. No entanto, o volume das trocas permaneceu pequeno.
Durante longos séculos, a
mercadoria permaneceu um fenômeno de “nicho”, limitada à circulação, isto é,
uma troca ocasional de produtos quase sempre obtidos por apropriação direta
(escravidão, servidão). Como conseqüência, nunca se formou, abrangendo toda a
sociedade, um sistema produtor de mercadorias. O “trabalho” não se constituía
uma esfera separada. Seu significado era de inferioridade social e dependência.
As formas pré-capitalistas de
domínio foram destruídas pela invenção e uso das armas de fogo. A partir daí
surgem grandes fábricas para produção de armamentos. Seus produtores eram pagos
em dinheiro. O dinheiro, a partir de então, dissolve a vida agrária.
Portanto, para ganhar
dinheiro, as pessoas foram forçadas a trabalhar. Com isso o trabalho
assalariado “livre” se encontrou frente a frente ao capital. Estavam assim
criadas as condições para a mercadoria penetrar na produção e, em seguida, na
sociedade inteira. A repressão, portanto, transformou os pequenos produtores em
trabalhadores. Para isso, eles foram expulsos de suas terras e tiveram cortados
seus direitos à caça, à pesca e à lenha.
Evidentemente, as pessoas não
se deixaram levar de livre e espontânea vontade pelas novas exigências. Eis
aqui a origem das guerras camponesas e da agitação dos ludistas.
Para conter a revolta e
adestrar os trabalhadores tornava-se urgente mudar a consciência e disciplinar
os seres humanos. Uma tarefa que requeria um desempenho especial. Cumprem
destacadamente este papel o sistema educacional, a ciência moderna com sua
visão quantitativa da natureza e a fundamentação religiosa e teórica iluminista
que inculcam nas mentes das pessoas as
exigências do trabalho. Por meio da caça às bruxas, a igreja forneceu o impulso
decisivo para a destruição da antiga imagem mística do mundo e, nesse sentido,
foi plenamente propícia aos novos poderes e novas idéias.
Dispêndio de trabalho humano para produzir mercadorias constitui, então, a nova forma de riqueza. O tempo de trabalho, sua medida.
A transformação do dinheiro em mais dinheiro, mediante o trabalho, toma conta do planeta. Todos os sistemas, apesar de seus conflitos possuem esse fundamento em comum. Ele é capaz de sustentar uma dinâmica espetacular frente a todos os obstáculos.
No entanto, para obter cada vez mais dinheiro, a venda das mercadorias tinha que render mais dinheiro do que o custo de sua produção. Alcança este objetivo a empresa que faz ofertas mais baratas. Quem decide a parada, frente à concorrência, é a produtividade. Porém, para produzir grande quantidade de mercadorias baratas, com poucos trabalhadores(as), só com uso cada vez maior de máquinas. Com isso, custos foram diminuídos e menos trabalhadores(as) produziram mais mercadorias.
Desta forma, o sistema se expandiu rapidamente. E se expandiu porque as condições para a expansão do mercado estavam propícias. O sucesso foi tamanho que tudo indicava que não havia limites para o novo sistema. Quando Carl Benz constrói o primeiro carro, Frederic Taylor separa as áreas de trabalho específicas e Henry Ford introduz a esteira rolante, – estavam criadas as condições para o mais novo método de produção, o fordismo.
Os resultados foram fantásticos. O aumento da produtividade barateou o preço de uma grande quantidade de mercadorias, ampliou consideravelmente o mercado e criou um número gigantesco de novos empregos. O sistema produtor de mercadorias viveu sua época de ouro e os trabalhadores(as) obtiveram suas maiores conquistas.
LIMITES DO
DINHEIRO
Mas, exatamente no momento de sua vitória plena, aparece uma crise inesperada do capitalismo.
As novas forças produtivas da micro-eletrônica põem em cheque a valorização do dinheiro. O dispêndio do trabalho humano perde a corrida para a ciência. Irrompe uma crise inédita no mundo – a crise do dinheiro.
A riqueza material produzida, agora, é fruto de um sofisticado complexo tecnológico. A informatização marca a entrada definitiva do sistema em crise.
Eis o aspecto central q ue explica a causa e natureza da crise atual do mundo globalizado. Não se trata de um aspecto particular, mas determinante, do colapso da modernização. O conteúdo material da produção se tornou incompatível com a forma imposta pela valorização do dinheiro.
A produção fundamental do sistema, agora, depende menos do tempo de trabalho e mais das máquinas. Os trabalhadores(as) foram reduzidos à supervisão e manutenção do sistema produtivo.
A valorização do dinheiro contida em cada unidade das mercadorias se torna insignificante. Agora, nem o trabalho e nem o tempo de trabalho são mais as condições principais da produção. O trabalho deixa de ser a fonte principal da riqueza e o tempo de trabalho deixa de ser a sua medida.
Com isso, a nova tecnologia economiza mais trabalho do que o necessário para a expansão dos mercados. A capacidade de racionalização é maior do que a capacidade de expansão. O desemprego se torna estrutural. A valorização do dinheiro atinge seu limite. A barreira histórica do capitalismo se apresenta.
ILUSÕES TARDIAS NO DINHEIRO
Porém, uma ilusão toma conta
do mundo globalizado decadente.
Se o dinheiro não pode ser
reinvestido de forma rentável na economia real, o jeito é descobrir um atalho
para a aplicação do dinheiro. E aposta-se na especulação financeira.
Esse imenso deslocamento
especulativo - lá é noite, aplica-se aqui; aqui é noite, aplica-se lá - é prova
concreta das fronteiras do sistema. Este dinheiro, dinheiro fictício,
transformou-se em “ar quente”, numa imensa bolha, que simula a solidez do
sistema financeiro mundial. A possibilidade concreta do estouro desta bolha
avança diariamente. O seu estrondo não deixará pedra sobre pedra.
Os limites do sistema se
manifestam de forma diferenciada em cada país. Por causa disso, a ilusão de um
futuro promissor irrompe de vez em quando, com grande estardalhaço. Primeiro,
foi o Japão. Depois, os Tigres Asiáticos. Agora, a China. Também são lembradas
Venezuela e Argentina. Mas esta esperança é tão enganadora quanto as
anteriores. Não há remendo que possa dar jeito neste sistema. Agora, ele só
produz catástrofes. Seu resultado negativo está aí diante de nossos olhos.
A sociedade do dinheiro caminha para o seu fim. As conseqüências disso são devastadoras.
Computadores
sofisticadíssimos, novas mídias e tecnologia de comunicação, bolhas financeiras
especulativas nos mercados acionários e imobiliários não conseguem mais ocultar
a realidade – a sociedade sólida do dinheiro avança para se desmanchar no ar.
Afinal de contas, a lógica capitalista não poderia ser ocultada através da simulação. Como vimos, o trabalho é central nesse sistema e, por suas raízes, é caracterizado como masculino, branco e ocidental. A isto está vinculada a desvalorização das mulheres. A elas foram impostos todos os momentos da reprodução social separados do trabalho. Além disso, no código do disciplinamento destinado às pressões das circunstâncias do trabalho, está também vinculada uma desvalorização das pessoas não brancas. Elas são consideradas insubmissas à razão moderna. Por outro lado, as crises internas do sistema são atribuídas constantemente a um poder subjetivo alheio, como aconteceu aos judeus na história européia.
Por esse motivo, já desde a
época da filosofia das luzes, o machismo, o sexismo, o racismo e o
anti-semitismo são transmitidos juntamente com a positivação do trabalho que
está na base e constitui a substância do processo de valorização do dinheiro.
Todas as outras categorias da
sociedade moderna produtora de mercadorias (mercadoria, valor, dinheiro,
mercado, nação, política, Estado, etc) são determinadas por essa relação
essencial.
Mas, com a terceira revolução
industrial, o próprio capitalismo tornou obsoleto, pela primeira vez, o
trabalho. Se fica obsoleto o trabalho, fica obsoleta sua sociedade com todos os
seus fundamentos. E, se não recusarmos e superarmos essa caducidade,
construindo uma nov a relação
social, quem vai ficar obsoleto, somos nós!
Caro(a) leitor(a), com você
uma proposta pra enfrentar e superar a crise atual. Mas, devemos alertá-lo(a)!
Trata-se de uma proposta que contém uma exigência bastante elevada – que você
tenha plena consciência dela. Uma consciência que lhe sensibilize para que você
esteja decidido(a) a levá-la à prática – mas saiba para quê! E isto é perfeitamente
compreensível. Afinal, você está diante de uma formulação crítica que mostra
claramente a constituição da sociedade capitalista. Uma interpretação da
história que decifra a metafísica real moderna e pós-moderna em seu nexo
interno de formas econômicas, políticas e culturais. E mais: conceitua
negativamente a constituição de nós mesmos(as) como submissos, até aqui, ao
deus-fetiche do dinheiro.
Para iniciarmos esta batalha, vem aí o 02 de dezembro – DIA DA RECUSA! Aqui começa a tomar corpo um novo movimento social capaz de botar o guizo no pescoço do gato! Chegou o momento de se pôr um fim na teologização pós-moderna do capitalismo que aduba a barbárie! É chegada a hora de um movimento transcendente ao sistema produtor de mercadorias!
Basta desta crise! Basta
desta vida! Basta desta sociedade! Vamos à mais bela luta da humanidade – a
luta pela emancipação humana! Conscientes, decididos(as) e organizados(as)
iniciemos uma nova história – a história da construção de uma sociedade
humanamente diversa e desfetichizada, ecologicamente exuberante e bela,
socialmente igual e criativa, prazerosa no ócio produtivo e completamente
livre!
Um abraço!